A estratégia Buy and Hold ainda funciona?

Meus colegas sabem que, entre as inúmeras estratégias que existem no mercado de renda variável, a que mais me atrai é a estratégia Buy and Hold, na qual o investidor adquire ações de determinada empresa sem a intenção de vendê-las, geralmente aplicando os rendimentos obtidos (dividendos e JCP) na aquisição de novas ações.

Essa estratégia é abordada em diversos livros de investimento, nos quais são apresentados os resultados obtidos na década de 1990 e no início dos anos 2000, quando a estratégia Buy and Hold proporcionou rendimentos substanciais ao pequeno investidor.

Após a crise de 2008, porém, poucos estudos sobre a eficácia dessa estratégia foram realizados, o que levou muitos investidores a se questionarem se ela ainda funciona.

Por essa razão, decidi comparar os resultados obtidos com o uso da estratégia Buy and Hold desde janeiro de 2010, analisando os rendimentos obtidos com o investimento em ações da Petrobras (PETR4), da Vale (VALE3) e do Banco do Brasil (BBAS3) e comparando-os com os rendimentos da renda fixa.

Em ambos os casos, considerei a aquisição de R$ 20.000,00 em ações em janeiro de 2010 e o reinvestimento dos dividendos com base no valor da ação em 31 de dezembro, comparando os resultados obtidos com uma aplicação de renda fixa que, após a incidência do imposto de renda, tivesse rendido ao investidor o equivalente a 85% da taxa CDI.

Vejamos os resultados…

No período analisado, o emprego da estratégia Buy and Hold gerou os seguintes resultados: Petrobras (-22%), Vale (+22%), Banco do Brasil (+131%). Apenas no caso das ações do Banco do Brasil, portanto, o uso dessa estratégia gerou rendimentos superiores ao da renda fixa (+103%).

Isso significa que essa estratégia não é mais tão rentável como antigamente? NÃO!

Lembre-se de que as ações brasileiras tiveram uma forte queda em 2008, recuperando-se rapidamente em 2009.
Por isso, como foi considerada uma simples aplicação, em janeiro de 2010, não foram aproveitadas as quedas verificadas entre 2013 e 2015.

Um investidor que tivesse aplicado R$ 500 ao mês na aquisição dessas ações, portanto, provavelmente teria obtido um resultado muito melhor do que o da renda fixa, pois teria um preço médio significativamente menor. Poderia, por exemplo, ter adquirido ações da Petrobras em dezembro de 2015 por apenas R$ 4,84, que valeriam, dois anos depois, em dezembro de 2017, R$ 16,55 (um lucro de 242%).
Tendo isso em consideração, veja como ficaria essa simulação, considerando-se uma aplicação anual de R$ 5 mil em ações e títulos de renda fixa (nesse caso, considerei uma compra de R$ 5 mil em janeiro de 2010 e, as seguintes, também efetuadas em janeiro, considerando-se a cotação de fechamento do ano anterior):

Perceberam a sutil diferença?

Observações:

– a quantidade inicial de ações foi obtida dividindo-se R$ 20.000,00 pela cotação de abertura do primeiro pregão de 2010;
– foram desprezadas as frações e os custos com corretagem (na prática, esses valores se compensaram);
– os dividendos e os juros sobre o capital próprio foram considerados no cálculo do exercício em que foram declarados, mesmo que seu pagamento tenha ocorrido no exercício seguinte;
– não foram considerados os proventos pagos em 2018 (o valor da carteira em março de 2018 foi lançado apenas para fins de comparação);
– as cotações e os proventos foram obtidos no portal GuiaInvest, que, na minha opinião, é o que melhor retrata as movimentações do mercado brasileiro (não recomendo nem o Yahoo Finanças nem o Infomoney, pois nesses portais não foram lançados inúmeros registros, sobretudo no que diz respeito a dividendos, JCPs, bonificações e desdobramentos).

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