Análise técnica: indicadores de tendência

Como já salientei em outras oportunidades, eu não sou o maior fã da Análise Técnica, por considerar que é uma falácia acreditar que os preços continuaram a se mover da mesma forma que se moveram no passado e que há padrões que podem ser identificados nos gráficos.
Afinal, se fosse tão simples, todos estaríamos ricos, não é mesmo?
Na verdade, ouso dizer que os supostos padrões identificados pelos analistas técnicos geram os resultados esperados em apenas 50% dos casos, mas os analistas técnicos, assim como os investidores de um modo geral, costumam se esquecer das experiências em que estavam errados.
Isso, porém, não quer dizer que algumas ferramentas da análise técnica não sejam realmente valiosas, e é por isso que vou dedicar o artigo de hoje ao estudo de indicadores técnicos de tendência (notem que a minha crítica foi aos supostos padrões encontrados pelos analistas técnicos, não às ferramentas da análise técnica, que, se usadas com sabedoria, podem contribuir para melhorar seus resultados).
Antes de mais nada, no entanto, é preciso registrar que você, como investidor, não deve utilizar mais do que 1 ou 2 indicadores em suas análises, e o motivo para isso é óbvio: se você utilizar 10 indicadores, por exemplo, em vez de confirmar suas conclusões, você certamente encontrará indicadores com sinais trocados, gerando dúvidas ainda maiores.
Por isso, você deve se ater àqueles indicadores que melhor se adaptem às suas necessidades.
Vamos lá!
MÉDIAS MÓVEIS
As médias móveis representam o preço médio de um ativo em determinado período e, ao utilizá-las, o investidor parte do pressuposto de que os preços tendem a convergir a um preço médio.
Logo, se os preços estiverem acima da média móvel, eles tendem a cair, e, se estiverem abaixo da média móvel, eles tendem a subir.
Por essa razão, ao utilizar médias móveis, o investidor deve levar em conta o seu horizonte de investimentos, já que uma média móvel mais curta, de, digamos, 14 dias, tende a apresentar movimentos mais voláteis, conforme os preços sobem e descem. Uma média móvel mais longa, ao contrário, tende a indicar menos movimentos errados, ainda que as novas tendências sejam refletivas com um pouco de atraso.

A média móvel aritmética (em rosa), com efeito, mostra o preço médio de um ativo em determinado período, e, à medida que os preços vão variando, vai descartando os preços mais antigos.
A média móvel ponderada (em vermelho), por sua vez, também mostra o preço médio de um ativo em determinado período, e, à medida que os preços vão variando, vai descartando os preços mais antigos. Diferentemente da média móvel aritmética, que atribuiu o mesmo peso aos preços considerados, porém, a média móvel ponderada atribui um peso maior aos preços mais recentes.
Por fim, a média móvel exponencial (em verde) mostra o valor médio dos preços em determinado período, e, à medida que os preços vão se alterando, atribui um peso maior aos preços mais recentes, sem, contudo, descartar os preços mais antigos.
ENVELOPES
Nada mais são do que duas médias móveis paralelas, distantes da média central, que buscam identificar o intervalo em que os preços se movem.
Ao utilizar os envelopes, portanto, há um sinal de compra quando os preços tocam a média inferior e um sinal de venda quando os preços tocam a média superior.

Os envelopes, outrossim, podem ser formados a partir de uma média aritmética, de uma média ponderada ou de uma média exponencial, dependendo da escolha do investidor.
MACD – MOVING AVERAGE CONVERGENCE/DIVERGENCE
O MACD é um indicador técnico que fornece sinais de compra e de venda no cruzamento das linhas do indicador e de sua média móvel.
O MACD é geralmente formado por meio da subtração de duas médias móveis (de 26 dias e de 12 dias) e por uma média móvel exponencial de 9 dias.

Se o MACD cai abaixo da média de 9 dias, há um sinal de venda.
Se o MACD sobe acima da média de 9 dias, há um sinal de compra.
BANDAS DE BOLLINGER
As Bandas de Bollinger buscam identificar o intervalo em que os preços se movem.
São ajustadas a partir do desvio-padrão de uma média móvel e, dependendo do número de desvios utilizados, são bastante precisas.
Utilizando-se 2 desvios-padrão, por exemplo, pode-se esperar que 95% dos preços estejam dentro das Bandas de Bollinger, e, utilizando-se 2,6 desvios-padrão, pode-se esperar que 99% dos preços estejam dentro das Bandas de Bollinger.

Nas Bandas de Bollinger, com efeito, há um sinal de compra quando os preços tocam a banda inferior e um sinal de venda quando os preços tocam a banda superior.
Afinal, como visto, considerando-se 2 desvios-padrão, apenas 5% dos preços ficam fora das bandas, de forma que é mais provável que os preços tendam a convergir para o centro das bandas do que para fora delas.
Por fim, é interessante observar que períodos de baixa volatilidade costumam ter bandas mais estreitas e que períodos de alta volatilidade tendem a ter bandas mais largas.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *